Você está subutilizando a Inteligência Artificial?

Você está subutilizando a Inteligência Artificial?
Talvez o próximo passo não seja aprender mais prompts. Seja aprender a criar aquilo que ainda não existe para resolver o que você precisa.
Você já percebeu como estamos ficando bons em pedir coisas para a Inteligência Artificial?
Pedimos para escrever um e-mail. Resumir uma reunião. Melhorar um texto. Pesquisar um assunto. Criar uma apresentação. Analisar uma planilha. Gerar uma imagem.
E tudo isso é ótimo.
Economiza tempo. Aumenta produtividade. Facilita nossa vida.
Só que tenho pensado muito em uma pergunta:
Será que não estamos subutilizando a Inteligência Artificial?
Porque existe uma diferença enorme entre usar aquilo que a IA já sabe fazer e olhar para a nossa própria rotina e pensar:
“O que EU gostaria que a IA fizesse por mim?”
É aí que, na minha opinião, a brincadeira começa a ficar realmente interessante.
Pedir é fácil. Criar EXIGE pensar.
Estamos cercados por prompts prontos, agentes prontos, GPTs, Gems e soluções que alguém criou.
Eu uso vários. E acho ótimo.
O problema começa quando nossa relação com a IA termina aí.
Copiar o prompt de alguém pode resolver uma necessidade pontual. Usar o agente criado por outra pessoa pode economizar tempo. Só que aquela solução nasceu do raciocínio, da necessidade e do processo de outra pessoa.
E onde está o seu?
Talvez por isso estejamos começando a perceber tantos posts, artigos, apresentações e até ideias com a mesma cara.
Não porque a Inteligência Artificial seja incapaz de ser criativa.
Talvez porque nós estejamos sendo pouco criativos na maneira de utilizá-la.
Quando pedimos o básico, ela tende a nos entregar o básico.
E quando todo mundo pede coisas parecidas, usando estruturas parecidas e referências parecidas, não deveria nos surpreender que os resultados também comecem a parecer parecidos.
Eu prefiro outra pergunta:
O que existe na minha rotina, no meu conhecimento, nos meus processos e na minha experiência que eu poderia transformar em uma solução minha?
Comece olhando para a sua rotina
Imagine observar sua semana e identificar:
“Faço isso toda segunda-feira.”
“Minha equipe perde horas fazendo isso.”
“Recebo sempre essas mesmas informações e preciso analisá-las segundo estes critérios.”
“Para tomar essa decisão, sempre verifico estas cinco coisas.”
“Tenho um método próprio para fazer isso.”
“Esse processo depende demais de mim.”
Agora a pergunta muda.
Ao invés de perguntar para a IA:
“O que você consegue fazer?”
Começamos a dizer:
“Isto é o que eu preciso que você aprenda a fazer comigo.”
É outra relação com a tecnologia.
E é exatamente aí que entram os agentes personalizados.
Você começa a colocar dentro deles contexto, conhecimento, critérios, regras, processos, documentos, ferramentas e, principalmente, a sua inteligência sobre aquele trabalho.
Não para deixar de pensar.
Justamente o contrário.
Você precisa pensar melhor para decidir o que vale a pena ensinar à máquina e o que deve continuar com você.
Eu costumo resumir assim:
Deixe a parte inteligente e criativa para nós, humanos. E entrega para a IA boa parte daquilo que é chato, repetitivo e operacional.
Criatividade virou uma competência ainda mais valiosa
Existe uma ironia interessante nisso tudo.
Quanto mais poderosa fica a Inteligência Artificial, mais importante fica a nossa capacidade de imaginar o que fazer com ela.
A ferramenta pode estar disponível para milhões de pessoas.
O que não está disponível para milhões de pessoas é o seu repertório.
Sua experiência.
Seu conhecimento do negócio.
Sua forma de resolver problemas.
As perguntas que você aprendeu a fazer depois de anos trabalhando.
Os erros que já cometeu.
Os padrões que aprendeu a reconhecer.
Os critérios que usa para decidir.
É por isso que eu não acredito em um futuro no qual todos simplesmente entregaremos nosso pensamento para a IA.
Eu acredito muito mais em um futuro no qual quem souber combinar inteligência humana com inteligência artificial terá uma capacidade extraordinária de criar.
E isso vale para quem quer transformar essa competência em negócio — como eu mesma tenho feito.
Hoje, desenvolver soluções e agentes personalizados com IA se tornou uma frente importante da minha receita.
Só que não estou falando apenas de vender agentes.
Estou falando do profissional que cria um para organizar seu próprio trabalho.
Da executiva que cria um para ajudá-la a preparar determinadas análises.
Do líder que identifica um processo repetitivo da equipe e cria uma solução para reduzir horas de trabalho operacional.
Do RH que transforma conhecimento disperso em uma ferramenta útil para suas lideranças.
Do especialista que percebe que parte daquilo que aprendeu durante 20 anos pode ser estruturada para trabalhar ao lado dele.
É aqui que eu vejo uma enorme oportunidade.
E as empresas Muitas liberam a IA. Só esqueceram de uma coisinha. Ensinar os Colaboradores a usar.
Tenho encontrado uma situação recorrente nos meus clientes.
As empresas liberaram o uso da Inteligência Artificial.
Excelente.
Só que, em muitos casos, ninguém ensinou as pessoas a realmente usá-la.
Então temos profissionais com acesso a ferramentas extremamente poderosas utilizando uma pequena fração do que elas poderiam oferecer.
Alguns usam para escrever.
Outros pesquisam.
Outros resumem documentos.
Outros compartilham informações indevidas publicamente sem saber o perigo que correm.
E muitos ainda estão tentando descobrir por onde começar.
Para mim, isso não é apenas um problema.
É uma oportunidade gigante para quem decidir aprender realmente.
Imagine ser aquela pessoa da equipe que começa a enxergar possibilidades.
Que identifica uma rotina improdutiva e propõe uma solução.
Que cria algo útil.
Que compartilha.
Que ensina outra pessoa.
Que inspira a equipe a experimentar.
Que não espera alguém mandar fazer.
Essa pessoa começa a ser percebida de outra maneira.
Não porque “sabe mexer no ChatGPT”.
Isso já é pouco.
Porque aprendeu a transformar problemas reais em possibilidades usando IA.
Letramento em IA também é uma Soft Skill (Competência Comportamental). Você sabia?
Tenho insistido muito nisso quando falo de Competências Comportamentais.
Um líder precisa saber liderar pessoas.
Precisa desenvolver Empatia, Comunicação, Escuta, Pensamento Crítico, Adaptabilidade, capacidade de dar Feedback, tomar decisões, desenvolver pessoas e lidar com conflitos.
Nada disso desapareceu porque chegou a Inteligência Artificial.
Na verdade, ficou ainda mais importante.
Só que uma nova competência entrou definitivamente nessa conversa:
Letramento em IA.
E Letramento em IA, para mim, não significa saber fazer meia dúzia de prompts.
Significa compreender possibilidades e limites.
Saber fazer boas perguntas.
Ter senso crítico sobre as respostas.
Entender o que pode ser delegado.
Reconhecer o que não deve ser delegado.
Saber proteger informação.
Aprender a estruturar processos.
Experimentar.
Criar.
E conseguir imaginar como pessoas e Inteligência Artificial podem trabalhar juntas de maneira mais inteligente.
Um líder não precisa virar programador.
Mas precisa parar de ser apenas consumidor da tecnologia.
Isso não tem volta.
Eu não sei quais ferramentas estaremos utilizando daqui a cinco anos.
Provavelmente algumas das que hoje nos impressionam parecerão primitivas.
Outras nem existem ainda.
Por isso, aprender somente onde clicar nunca me pareceu uma estratégia muito inteligente.
Eu prefiro desenvolver a capacidade de olhar para uma nova tecnologia e perguntar:
O que eu consigo criar com isso?
Essa competência permanece mesmo quando a ferramenta muda.
Talvez você nunca queira vender um agente.
Talvez nunca queira trabalhar profissionalmente com Inteligência Artificial.
Tudo bem.
Crie para você.
Crie para sua rotina.
Crie para sua liderança.
Crie para sua equipe.
Crie alguma coisa que elimine duas horas de trabalho repetitivo.
Depois crie outra.
E outra.
Porque talvez uma das competências profissionais mais interessantes dos próximos anos seja justamente esta:
enxergar trabalhos que ainda são feitos por pessoas e imaginar maneiras melhores de fazê-los com pessoas + IA.
Pare de perguntar apenas o que a Inteligência Artificial pode fazer.
Comece a decidir o que você quer que ela faça por você.
E, principalmente:
não clone o pensamento dos outros.
Clone aquilo que não merece consumir o seu.
Sua rotina.
Seus processos repetitivos.
As tarefas que roubam tempo daquilo que você faz melhor.
Porque inteligência, repertório, criatividade, julgamento e humanidade?
Esses eu quero cada vez mais do lado humano.
Quer aprender fazendo?
Foi justamente dessa ideia que nasceram meus Workshops Mão na Massa — Clone sua Rotina.
Não foram criados para você assistir alguém falando sobre Inteligência Artificial.
Foram criados para colocar a mão na massa e aprender a construir.
Vamos trabalhar com ChatGPT/Work, Gemini, Copilot e Claude Cowork para sair do uso básico e começar a criar agentes, automações e soluções personalizadas para situações reais.
Porque meu objetivo não é que você saia sabendo copiar aquilo que eu fiz.
É que você saia pensando:
“Agora eu consigo imaginar — e construir — o que eu preciso.”
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Clone sua rotina. Não o seu pensamento.




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